Em primeiro lugar, eu sei que muita gente que está lendo isso não conhece essa tal de Róisín Murphy. Então vou explicar:
Uma das divas da pista de dança, tenho certeza que Kylie Minogue sonha em ser como ela. Róisín Murphy nunca estudou música e entrou no Moloko de pára-quedas, assim, no impulso. Conheceu Mark Brydon em uma festa, em 1994, e juntos formaram uma das duplas eletrônicas mais veneradas pelos ingleses.Moloko produzia música dançante, criativa, estranha e interessante. Indico “Sing It Back” para dançar e “Fun For Me” para entender o rótulo de estranha.
A dupla se desfez em 2003 (com alguns revivals até 2005) e quando tudo parecia perdido e os clubbers já se sentiam órfãos da musa, Róisín foi corajosa e decidiu seguir sozinha. Ela voltou para reafirmar seu dom como cantora e sua capacidade como produtora. Essa irlandesa provou que, ao contrário do que muitos pensam, é possível fazer música de qualidade para as noitadas de pura diversão.
Seu debute solo foi Ruby Blue, de 2005, recheado de canções de difícil digestão, inteligente, com belos efeitos eletrônicos e a suave voz de Róisín mergulhada em uma sonoridade psicodélica. “Night of the Dancing Flame”, “Ramalama” e a própria “Ruby Blue” são ótimos exemplos da complexidade das faixas do álbum.
“Overpowered”, além de dar o nome, abre o disco e é uma canção que, ao iniciar, te faz confundir leveza com simplicidade. O equívoco é corrigido assim que aparecerem synths inesperados e uma suave harpa que servem para criar o clima do que está por vir.
Depois da sensação de tranqüilidade e inquietude (contraditório mesmo) causada pela primeira faixa, “You Know Me Better” tem o poder de impulsionar o corpo para movimentos estranhos e, quase sem perceber, já estamos dançando.
Esse bizarro domínio que a música exerce sobre os músculos continua com “Checkin’ On Me” e “Let Me Know”. Sendo que a primeira traz uma levada Embalos de Sábado à Noite ao fundo; e a segunda surpreende pelo início exibicionista da voz de Róisín e um refrão que gruda na cabeça de qualquer um.
Videoclipe oficial de "Let Me Know", com os músculos de
Róisín Murphy reagindo estranhamente ao próprio som.
Já “Primitive” é dominada pela sensualidade, o que contrasta com o funky beat de “Footprints”. “Dear Miami” mantém a pista dançando enquanto faz um pedido de atenção ao aquecimento global. Na seqüência, o chão treme com “Cry Baby”, a mais nova inclusa na lista de necessárias na balada.
Fechando o álbum aparece “Tell Everybody”, a faixa mais fraca do álbum que se justifica na beleza do vocal de Róisín, e “Scarlett Ribbons”, baladinha romântica ideal para o fim de noite, quando os pés já imploram por descanso.
Overpowered é uma noite de diversão completa, do início ao fim. Estabelece o clima, agita o corpo e depois oferece conforto e relaxamento antes de voltarmos à rotina do dia-a-dia.